sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Herói Nacional
E foi pensando nisso que se acendeu uma luzinha no fim do túnel, e eu percebi que às vezes a gente fica tão cheio de idéias e preocupações que se esquece de coisas importantes que nós sempre soubemos. A coisa importante que eu esqueci é justamente um ponto de vista que alivia minha angústia em relação a escolha do novo presidente: o mito do herói nacional.
Em decorrência de fatores históricos, nós, brasileiros, acreditamos no mito do herói nacional. A gente tem a impressão de que tudo que aconteceu no país foi fruto da movimentação de um ou dois homens, que são os únicos responsáveis pelo que veio de bom ou de ruim. Nossos livros de história são ilustrados com pinturas de personalidade brasileiras, e a gente é capaz de citar nomes, mas raramente o contexto em que aquele nome viveu. Será que foi só Tiradentes que queria a liberdade? (alguém se lembra da Conjuração Baiana? Pois é, centenas de homens pobres morreram por esse ideal, mais ou menos na mesma época). JK governou o Brasil sozinho? O Brasil de hoje é fruto só do que ele fez? E Collor? E Joseph Garibald? E Geisel? E D. Pedro? E Luís Carlos Preste? E Lula? Estavam decidindo e fazendo tudo SOZINHOS?
Em todas as época existem pessoas, homens e mulheres, que fazem coisas boas e ruins, que contribuem com o progresso, com a paz ou com a violência, que vão construindo o dia-a-dia, construindo o país. Getúlio Vargas que me desculpe, mas não precisamos de um pai. Já somos bem crescidinhos. E donos do nosso nariz.
Então precisamos parar de fingir que existe um ser humano, que pode ser a encarnação do bem ou do mal, que vai se sentar na cadeira da presidência e controlar de acordo com seus caprichos o futuro do NOSSO país. Precisamos parar de fingir até para que eles parem de acreditar. Pensando só em termos de Governo, temos três divisões bem siginificativas: Legislativo, Executivo e Judiciário. Temos, além do presidente, senadores, governadores, deputados estaduais, deputados federais, prefeitos e vereadores (além de juízes e promotores que também controlam o poder, ministros e outros altos cargos que também tomam decisões). Alguém aí cobra atitudes dos vereadores? Alguém aí sabe o nome de mais de cinco deputados?
Não estou subestimando a importância da figura do presidente, só estou dizendo (aliviada) que não temos que nos sujeitar a supremacia de uma única pessoa, mesmo que ela seja o presidente do Brasil. A nossa democracia está só engatinhando. Tivemos pouquíssimos presidentes eleitos de forma democrática. Estamos no começo de um processo, ESTAMOS CONSTRUINDO UMA REALIDADE, da mesma forma que o país que somos hoje é fruto da sua construção enquanto colônia, depois como império e assim por diante. Tirando Dilma ou Serra, ainda sobram centenas de pessoas eleitas democraticamente, e mais milhares que podem mudar muita coisa. Como? Eu não sei bem. Eu não tenho a receita, se é isso que você quer saber quando aqueou a sombrancelha ao ler esse texto, e perguntou-se de onde vem tanta ingenuidade.
Mas é mais ou menos isso que eu me pergunto quando vejo a gente acreditando no herói nacional, da mesma forma que a gente achava que o super homem podia mesmo salvar o mundo.
Eu não sei o caminho. Mas eu sei que tem mais de um. Ou melhor, mais do que dois.
Na verdade, como diria Samuel Rosa: O caminho só existe quando você passa.
Postado por: Marcela
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Pra você correr macio
Falta um tanto ainda, eu sei
Pra você correr macio...
Nunca gostei de relógios de pulso, e hoje sei que não era uma simples implicância estética minha. Na verdade, me assusta a idéia de ter essa medição tão abstrata – medição do tempo, vejam só! – ali, coladinha na minha pulsação.
É claro que saber as horas é importante, mas não acho que seja tão fundamental saber as horas o tempo todo, mesmo porque elas são simplesmente uma convenção. Carregar o relógio no pulso traz para as pessoas a falsa sensação de poder controlar o tempo – ou de pelo menos ter um “aliado” na luta contra ele.
Lutar contra o tempo é uma coisa que a gente faz constantemente, e às vezes eu tenho a certeza de que seria muito mais saudável apenas deixá-lo passar, sem que isso parecesse significar tantos “e se” como tem sido para nós. E se eu não conseguir depois? E se eu mudar e me arrepender? E se quando eu estiver velho eu não me orgulhar de nada? Bem, e se a gente parar de tentar controlar nosso futuro e prestar mais atenção no presente? (não estou mandando ninguém “viver o agora” sem responsabilidade e sem medidas, pelo amor de Deus. Só estou falando que coisas boas, saudáveis e felizes são conseqüências de práticas boas, saudáveis e felizes. Sofrer para tentar ser feliz é muito ilógico, convenhamos).
Mas não era essa a questão sobre o tempo que eu queria tratar aqui. Eu só queria registrar uma impressão que tem me incomodado profundamente. O tempo tem fugido, sabe. Corrido de mim, virado a esquina rápido demais, escorregado por entre as minhas mãos. Claro que eu falo disso em sentido figurado: o tempo está lá, como sempre esteve, embora eu não saiba muito bem como é. A culpa é minha, ou da sociedade em que vivo, ou de nós duas ao mesmo tempo. Eu sei que estou fazendo isso de um jeito errado, mas os únicos jeitos certos que conheço são justamente os considerados “errados”.
De qualquer maneira (voltando de novo), tenho me sentido tão sem tempo que não tenho tempo nem para refletir sobre o assunto. Existe uma frase que diz “Os dias são longos, mas os anos são curtos”. Para mim parece o contrário: só vejo resultados quando olho para os anos, mas no dia a dia não realizo nem metade do que me proponho. “Como arranjar tempo para as coisas importantes enquanto as urgentes estão sendo feitas?” Com essa eu concordo totalmente.
Coisas importantes têm ficado de lado, inclusive escrever (que eu tanto amo) no meu blog (que eu tanto amo). Outras coisas importantes tem ficado de lado. A matemática, a filosofia, os grandes autores e obras literárias, as reflexões de Marx a respeito do capital, as ponderações do Dalai Lama, as receitas culinárias, sair pra passear com o cachorro, os ensinamentos chineses sobre meditação, aprender a tocar guitarra e as melodias de Bob Marley. Tempo, só para as coisas urgentes, como achar o pé direito do sapato antes de sair, formatar um trabalho segundo as regra das ABNT, e assistir as comédias sem graça que todo mundo vai comentar no dia seguinte.
Postado por: Marcela
sábado, 4 de setembro de 2010
O bom filho à casa torna .
Faz um tempo que não posto nada aqui. E como faz ! Mas esse sumiço foi por uma boa causa.
Mais ou menos em março desse ano eu e um grupo de amigos fomos incumbidos de cuidar do Cerimonial de um projeot da escola, chamado Fashion Day , que conta com apresentações de dança e desfiles. FOI UMA ANIMAÇÃO TOTAL ! Queríamos que o nosso fosse o melhor, fosse lembrado na história . E acho que conseguimos, a começar pelas brigas, cunfosões e fofoquinhas que roderam o início do projeto, parecia que nada sairia do lugar e tudo daria errado. Mas acreditamos em nós mesmos, e resolver levar tudo mais a sério do que nunca, deixabdo de lado a moleza, e correndo atrás de fazer tudo ser perfeito. 57 alunos completamente diferentes se uniram, o que não quer dizer que deixamos de discutir, mas sim que levamos a discussão para um lado produtivo e construtivo. E assim fizemos. Choramos, rimos, corremos, ensaimos, gastamos: fizemos tudo em excesso, tudo grandioso, o que fez com que o Fashion Day 2010, que antes parecia loucura (e que com certeza deixou muita gente louca) virou realidade, uma linda realidade. Nos entregamos de corpo e alma, e todos adimitimos que VALEU A PENA ! No dia 25 de agosto fizemos um show maravilhoso, que encantou a todos que assistiram, mas mais do que isso: nos orgulhou de ser quem somos, e fazer o que fizemos.
E quer saber? Toda a correria e confusão já haviam virado um rotina, que agora deixa muita saudade :’)
E então , sumiço explicado e perdoado ?
FASHION DAY 2010 – HOLLYWOOD STUDIOS
WHO DO YOU WANNA BE ?

Postado por: Jéssica
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O importante não é dar primeiro, é dar gostosinho
Postado por: Marcela
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Que é um jornal?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Moeda também é dinheiro
Da mesma maneira que dividiram o dia em horas, as horas em minutos, os minutos em segundos, e dái por diante; da mesma forma que subdividiram o país e os estados; do mesmo jeito que nos colocam num departamento exclusivo de roupas infantis de um bichinho de um desenho dentro de uma loja; da mesma maneira que os físicos pegaram a esfera maciça e "indivísivel" e picaram em mais um número incontável (e inexplicável) de pedacinhos; da mesma maneira que a nossas mães viram mil (mas continuam sendo uma só, como eles insitem em repetir); do mesmo jeito que dividem a gramática, as religiões, as nuances de uma cor e praticamente tudo mais, o dinheiro também tem subdivisões. Mas esqueceram de avisar pra muita gente.
Eis que estávamos eu e duas colegas em um supermercado comprando um lanche para umas 15 pessoas. É claro que o dinheiro era proveniente de uma vaquinha, e uma vaquinha de fim de mês, o que significa que era uma vaquinha bem magra e sofrida. Mas lá estava ela. Em moedas, para ser mais exata. De 10, 25, 5, algumas de um real e, inacreditavelmente, algumas de 1 centavo. Todas reunidas em uma caixinha resultavam em dinheiro, do mesmo que todo mundo ali tinha.
O primeiro olhar mal encarado veio da moça que fica pesando as frutas, quando paramos do lado dela para contar as moedinhas. O segundo foi do moço do frigorífico, quando fomos lá trocar as bandejas de presunto por algumas que estivessem mais baratas, logo após constatar que a vaquinha era mesmo magra.
Sempre me incomodou essa história de olhar torto pra moeda, porque, uma vez que vivemos num regime capitalista onde o valor das coisas é traduzido em dinheiro, temos que aceitar também as moedas. Mas tem gente que tem vergonha de andar com moedinha! Vergonha tem que ter é quem anda com dólar na cueca.
Continuando nossas compras, chegamos no caixa felizes e realizadas por termos conseguido comprar as coisas, depois de rebolar e fazer várias substituições. A caixa olhou incrédula para a nossa caixinha, mas contou as moedas sem dizer nada. Já a mulher que estava atrás de nós na fila soltou um longo suspiro de impaciência diante da cena, o que atraiu a atenção do restante da fila, que espichou o pescoço para ver a caixa contando as moedas. E a mulher estava comprando um maço de cigarro, tá? Eu é que devia estar impaciente com ela, sabendo quanto dinheiro público (por consequência, meu dinheiro também) é gasto na saúde para tratar de pessoas que fumam.
Mas ao invés de dizer isso para ela, nós só rimos, brincamos que tínhamos assaltado o cestinho da igreja e acrescentamos uma verdade incontestável: a gente, moeda também é dinheiro.

Postado por: Marcela
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Tudo se Ilumina
Mas existem muitos jeitos de contar uma história triste, e embora seja impossível fazê-la feliz, é perfeitamente possível fazê-la boa. Mesmo com toda dor, ela pode iluminar.
O que mais me intrigava em "Tudo se Ilumina" é que eu nunca encontrava uma opinião sobre o livro que não incluísse trechos. As pessoas falavam, tentavam descrever a história e os efeitos nelas causados pela história, mas sempre acabavam reproduzindo algum pedaço do livro.
Hoje eu entendo perfeitamente a incapacidade de falar dessa obra sem deixá-la falar por si mesma também. Descrevendo de maneira muito superficial: O autor, Jonathan Safran Foer, viajou para a Ucrânia com a intenção de encontrar a mulher que salvou seu avô (um judeu) dos nazistas. Ele só sabia da existência dela por uma fotografia. Jonathan não a encontrou, então resolveu inventar uma história. Assim, é um livro de ficção, mas tão cheio de realidade e verdade que chega a ser incômodo.
Esse foi o primeiro trecho pelo qual eu me apaixonei, na primeira vez que ouvi falar do livro:
- Sammy Davis, Junior, Junior vai pular para fora.
- Quem?
- A cadela. O nome dela é Sammy Davis, Junior, Junior.
- Isto é uma piada?
- Não, ela verdadeiramente partirá do carro.
- Estou falando do nome dele.
- O nome dela - retifiquei-o, pois sou de primeira categoria em pronomes. (...)
- Por favor, podemos abaixar a janela? - disse o herói. - Não aguento mais esse cheiro.
Ao ouvir isso, me rendi à humildade e disse: - É só Sammy Davis, Junior, Junior. Ela produz peidos terríveis aqui dentro, porque o carro não tem amortecedores nem longarinas mas vai pular para fora se abaixarmos a janela. E precisamos dela, que é cadela-guia do nosso motorista cego, que também é o meu avô. O que você não compreende?"
Postado por: Marcela

