quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Que é um jornal?

Postado por Infinito Particular às 06:31 0 comentários
Fred. J. Curran, do Wiscousin Journal

Publicado no Correio da Manhã, em agosto de 1963



- O que é um jornal? perguntou a menina.

É um papel cheio de palavras e fotografias.

É feito de muita gente, de gente como nós.

É uma grande notícia ou uma pequena notícia, sobre povos distantes e o povo que mora ao lado.


É felicidade e tragédia, riso e choro, é uma canção muitas vezes repetida.

É o governo, do presidente ao Congresso, do governador à legislatura, do prefeito ao conselho municipal, e em todas essa ramificações, um olhar inquiridor sobre seus atos.

É a polícia, o bombeiro, e outras ocipações perigosas.

É o negócio, é indústria, é vitrine para os comerciantes apresentarem seus produtos. É anúncio à procura de um cachorrinho desaparecido.

É registro de tudo o que acontece ao povo; de quem fez algo, quando onde e por quê.

É a descrição de um vestido de noiva; é recém-casado procurando apartamento.

É boas-vindas a um novo pastor, é culto à Igreja, é adeus a alguém que se retira depois de longos serviços prestados.

É o longo caminho, a volta ao lar, o escore de boxe, é a partida de futebol.

É a sugestão para uma receita, um plano para melhorar seu lar, um pequeno conselho a alguém aflito.


É a primeira neve que cai, o amanhecer da primavera, o dia mais quente do ano. É também o rio tortuoso como as beiras das folhas que caem no outono.

É a lida diária do jovem que vai e volta da escola; o que faz e aprende com os professores. É parque, férias e lugar para passear e como chegar lá.

É a praia, o bom cantinho de pesca no verão, é o ficar sem fazer nada.

É a produção e o progresso, o novo e o velho produto.

É ajuda e serviço´profissional, é a notíia do que se faz nos hsopitais e nas clínicas.

É um boletim sobre a Igreja, o Templo e a Sinagoga.

É a notícia de uma organização de veteranos, serviços de clube, é um chá à tardinha.


É a maior coletânea de palavras e fotografias já reunida.

É a grande estória, a pequena estória e a ficção.

É o retrato, a fotografia crua, a página fotográfica de grandes acontecimentos. É a opinião do redator, a divergência do leitor, o pensamento do colunista. É a explicação de muitas coisas. É o jogo de palavras cruzadas, a página cômica, o quebra-cabeças.

É um estilo nem sempre literário porque representa a linguagem do povo. Porque grande parte dele é o que o povo diz.


É um redator com seu chapéu engraçado de papel, um linotipista colocando habilmente os tipo lado a lado, um agente de publicidade convencendo o anunciante a contar a sua estória, um repórter batendo à sua máquina, é o jornalista tirando cópias e preparando os cabeçalhos, é um fotógrafo tentando um último instantâneo. É um pequeno jornaleiro assoviando pelas ruas às quietas horas da madrugada.


é um espelho da vida. Uma parte da vida tão importante quanto o relógio e o calendário. É o papel cheio de palavras e fotografias.

Como este.
Postado por: Marcela

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Moeda também é dinheiro

Postado por Infinito Particular às 16:40 0 comentários
Uma homenagem à Wanessa e Cibele

Da mesma maneira que dividiram o dia em horas, as horas em minutos, os minutos em segundos, e dái por diante; da mesma forma que subdividiram o país e os estados; do mesmo jeito que nos colocam num departamento exclusivo de roupas infantis de um bichinho de um desenho dentro de uma loja; da mesma maneira que os físicos pegaram a esfera maciça e "indivísivel" e picaram em mais um número incontável (e inexplicável) de pedacinhos; da mesma maneira que a nossas mães viram mil (mas continuam sendo uma só, como eles insitem em repetir); do mesmo jeito que dividem a gramática, as religiões, as nuances de uma cor e praticamente tudo mais, o dinheiro também tem subdivisões. Mas esqueceram de avisar pra muita gente.

Eis que estávamos eu e duas colegas em um supermercado comprando um lanche para umas 15 pessoas. É claro que o dinheiro era proveniente de uma vaquinha, e uma vaquinha de fim de mês, o que significa que era uma vaquinha bem magra e sofrida. Mas lá estava ela. Em moedas, para ser mais exata. De 10, 25, 5, algumas de um real e, inacreditavelmente, algumas de 1 centavo. Todas reunidas em uma caixinha resultavam em dinheiro, do mesmo que todo mundo ali tinha.

O primeiro olhar mal encarado veio da moça que fica pesando as frutas, quando paramos do lado dela para contar as moedinhas. O segundo foi do moço do frigorífico, quando fomos lá trocar as bandejas de presunto por algumas que estivessem mais baratas, logo após constatar que a vaquinha era mesmo magra.
Sempre me incomodou essa história de olhar torto pra moeda, porque, uma vez que vivemos num regime capitalista onde o valor das coisas é traduzido em dinheiro, temos que aceitar também as moedas. Mas tem gente que tem vergonha de andar com moedinha! Vergonha tem que ter é quem anda com dólar na cueca.

Continuando nossas compras, chegamos no caixa felizes e realizadas por termos conseguido comprar as coisas, depois de rebolar e fazer várias substituições. A caixa olhou incrédula para a nossa caixinha, mas contou as moedas sem dizer nada. Já a mulher que estava atrás de nós na fila soltou um longo suspiro de impaciência diante da cena, o que atraiu a atenção do restante da fila, que espichou o pescoço para ver a caixa contando as moedas. E a mulher estava comprando um maço de cigarro, tá? Eu é que devia estar impaciente com ela, sabendo quanto dinheiro público (por consequência, meu dinheiro também) é gasto na saúde para tratar de pessoas que fumam.

Mas ao invés de dizer isso para ela, nós só rimos, brincamos que tínhamos assaltado o cestinho da igreja e acrescentamos uma verdade incontestável: a gente, moeda também é dinheiro.


Postado por: Marcela

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Tudo se Ilumina

Postado por Infinito Particular às 05:48 0 comentários
Não existe uma maneira de contar uma história triste que não seja uma maneira triste. Eu já sabia disso.

Mas existem muitos jeitos de contar uma história triste, e embora seja impossível fazê-la feliz, é perfeitamente possível fazê-la boa. Mesmo com toda dor, ela pode iluminar.

O que mais me intrigava em "Tudo se Ilumina" é que eu nunca encontrava uma opinião sobre o livro que não incluísse trechos. As pessoas falavam, tentavam descrever a história e os efeitos nelas causados pela história, mas sempre acabavam reproduzindo algum pedaço do livro.

Hoje eu entendo perfeitamente a incapacidade de falar dessa obra sem deixá-la falar por si mesma também. Descrevendo de maneira muito superficial: O autor, Jonathan Safran Foer, viajou para a Ucrânia com a intenção de encontrar a mulher que salvou seu avô (um judeu) dos nazistas. Ele só sabia da existência dela por uma fotografia. Jonathan não a encontrou, então resolveu inventar uma história. Assim, é um livro de ficção, mas tão cheio de realidade e verdade que chega a ser incômodo.

Esse foi o primeiro trecho pelo qual eu me apaixonei, na primeira vez que ouvi falar do livro:

“Era esse o mundo em que ela crescia e ele envelhecia. Os dois criaram para si mesmos um santuário longe de Trachimbrod, um habitat completamente diferente do resto do mundo. Nenhuma palavra de ódio era jamais pronunciada, e nenhuma mão erguida. Além disso, nenhuma palavra raivosa era jamais pronunciada, e nada era negado. Mas além disso, nenhuma palavra sem amor era jamais pronunciada, e tudo era revelado como uma pequena prova de que pode ser desse jeito, não tem que ser daquele jeito; se não há amor no mundo, faremos um novo mundo, dando-lhe paredes fortes e macios interiores vermelhos, de dentro para fora, e uma aldrava que ressoe como um diamante caindo no feltro de um joalheiro, para que jamais a ouçamos. Dê-me amor, pois o amor não existe, e eu já experimentei tudo que existe”.

Esse trecho fala de como viviam Yankel, um senhor de idade e Broad, uma menina que ela adota recém nascida. A parte da história que narra a chegada de Broad à casa de Yankel é assim:

"O agiota desonrado Yankel D levou a menininha para casa naquela noite. Agora, disse ele, vamos subir o primeiro degrau. Aqui estamos. Esta é sua porta. E esta é a sua maçaneta, que eu estou abrindo. E aqui é o lgar onde pomos os sapatos quando entramos. E aqui é o lugar onde penduramos os casacos. Ele falava como se ela conseguisse entendê-lo, nunca em tom agudo ou em monossílabos e nunca com palavras sem sentido. Isto que eu estou lhe dando é leite(...). Esta é a minha mão alisando seu rosto. Algumas pessoas são canhotas e outras são destras. Ainda não sabemos o que você é, porque você só fica sentada aí e deixa que eu faça tudo... Isto é um beijo. É o que acontece quando os lábios são comprimidos e encostados em alguma coisa, às vezes outros lábios, às vezes uma bochecha, às vezes outra coisa. Depende... Isto é o meu coração. Você está tocando nele coma a mãoesquerda, não porque seja canhota, embora talvez seja, mas porque eu estou segurando a sua mão junto ao meu coração. O que você está sentindo é o batimento do meu coração. É isso que me mantém vivo."

A história é intercalada com narraçãoes muito engraçadas de Alex, o tradutor e "guia" de Safran. Alex fala de um jeito distorcido, exatamente como se fosse um inglês traduzido com imperfeição. Aqui um diálogo entre ele, dentro do carro:

"- Bom, podemos abaixar as janelas? Esta muito quente aqui dentro, e parece que alguma coisa morreu.
- Sammy Davis, Junior, Junior vai pular para fora.
- Quem?
- A cadela. O nome dela é Sammy Davis, Junior, Junior.
- Isto é uma piada?
- Não, ela verdadeiramente partirá do carro.
- Estou falando do nome dele.
- O nome dela - retifiquei-o, pois sou de primeira categoria em pronomes. (...)
- Por favor, podemos abaixar a janela? - disse o herói. - Não aguento mais esse cheiro.
Ao ouvir isso, me rendi à humildade e disse: - É só Sammy Davis, Junior, Junior. Ela produz peidos terríveis aqui dentro, porque o carro não tem amortecedores nem longarinas mas vai pular para fora se abaixarmos a janela. E precisamos dela, que é cadela-guia do nosso motorista cego, que também é o meu avô. O que você não compreende?"

Mais um trecho, dessa vez de uma parte já avançada da história, onde o avô de Safran é o personagem central:

"Eles trocavam bilhetes, como crianças. Meu avô fazia os seus com recortes de jornais e joagava-os nas cestas de vime dela, nas quais sabia que só ela ousaria meter a mão. Encontre comigo debaixo da ponte de madeira, e eu lhe mostrarei coisas que você jamais viu. O "E" vinha das tropas que tirariam a vida da mãe dele: EXÉRCITO ALEMÃO AVANÇA PARA A FRONTEIRA SOVIÉTICA; os dois "N", da frota de guerra que se aproximava: NAVIOS NAZISTAS DERROTAM FRANCESES EM LESACS (...) ... e assim por diante, cada bilhete uma colagem do amor que jamais poderia ser, e da guerra que podia."

Existem muitos outros techos surpreendentes e lindos, mas vou para por aqui. E assim, Tudo se Ilumina vai falando por si mesmo, contando uma história triste e encantadora, e tão profunda quanto deve ser uma narrativa sobre o holocusto e uma reflexão sobre o amor.

Postado por: Marcela


sábado, 24 de julho de 2010

Felômenal !

Postado por Infinito Particular às 09:33 0 comentários

 

Quem nunca ouviu essa palavra soar da boca de Giovani Improta em Senhora do Destino ? Se não ouviu dele com cereteza alguém conhecido disse isso pra você . E isso tudo porquê ? Por que a palavra, mesmo que errada virou um bordão .

Aaah, os bordões ! Geralmente eles surgem na novelas, seriados , programas e até mesmo propagandas de TV , e pronto , já estão na boca do povo. Quem nunca se atreveu a soltar um , nem que fosse sem querer ? Eles grudam na nossa cabeça, não saem da memória e se tornam corriqueiros no dia-a-dia . E se um bordão ficar muito velho ? Não tem problema ! Arrajamos outros e outros .

São tão divertidos ! E além disso, quando surgem, parecem encaixar perfeitamente em toda frase que você que dizer . Impressionante !

Por isso, escolhi alguns que fizeram/fazem parte do meu vocabulário, e tenho certeza que você conhece :

“ARE BABA !” ( Caminho das índias)

“Não contavam com minha astúcia! – Ninguém tem paciência comigo” (Chaves)

“Não é a mamãe, não é a mamãe ! - Querida, cheguei!” (Família Dinossauro)

“Scooby-Doo, cadê você meu filho? - Scooby, Dooby Dooo” (preciso dizer de onde é ?)

“Olha a Faca” (Patrick – Zorra Total)

“Né Brinquedo, Não!” (Dona Jura - O Clone)

“Yabadabadooooo! – Wiiiiilmaaaaaa !” (Fred Flintstone)

“Pelos poderes de Grayskull! Eu tenho a fooorça !”

Amo esse ! *-*

Postado por : Jéssica

Amizade .

Postado por Infinito Particular às 09:14 1 comentários

 

Não ia postar nada sobre o Dia da Amizade, mas eu estava lendo uns poemas antigos e achei esse , sobre amizade. Então pensei, porque não ?

 

Amizade, diga-me a verdade

Qual o seu verdadeiro nome?

Você se esconde por trás de tantas faces

Tem amizade antiga

Que se perdeu nos anos, nem dá pra contar

Tem amizade recém-chegada

Que ainda tem muita coisa pra experimentar

Tem amizade caloteira

Que só existe pra pagar tuas dívidas

Tem amizade ciumenta

Que a cada dia te deixa mais dividida

Tem amizade colorida

Que na minha terra tem outro nome

Tem amizade, que é mais que amiga

Dividem até o sobrenome

Mais não importa de que te chamam

Amizade, amor, fraternidade

O que importa mesmo é quando se baseia

No sentimento mais humano, o amor

Porque assim nunca morre.

Postado por: Jéssica  ;)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Nostalgia que olha para frente

Postado por Infinito Particular às 05:59 0 comentários
Memória.

É aquilo que te faz sentir uma onda de alegria quando uma palavra específica é pronunciada, mesmo que para as pessoas comuns ela não tenha nenhum humor. É o que te leva para outro lugar quando chove, e você sente os pingos de uma outra chuva molhando seus cabelos, no dia em que você mais correu na sua vida. É o que te faz ouvir aquela música velhinha, assistir de novo aquele filme conhecido, ver mais uma vez aquelas fotos. É o que te faz olhar no espelho e acreditar que está tudo bem, embora você não seja a pessoa mais bonita do mundo. Será que isso é mesmo o mais importante para alguém? É o que te faz sorrir, aparentemente sem motivo.

Eu disse memória?

Bem, embora a memória seja mesmo necessária para esse replay de emoções, com direito a câmera lenta nos melhores momentos, não é dela que eu falo quando tento explicar essa nostalgia que olha para frente. Ninguém vive de passado, e viver só de lembrar os bons momentos é a forma mais rápida de deixar o tempo escapar de você. Mas não existe nada mais desejável do que essa ponte viva e colorida, que nos faz recontar nossa história sem saudade demais, daquela que chega a ser angústia, mas com a saudade suficiente pra se formar uma consciência de que não existe um final feliz, afinal. Feliz é o caminho.

Amigos.

É o nome dessa ponte que resgata seu passado sem te deixar esquecer do presente. A maneira mais fácil de traçar aquela linha imaginária que nos situa num mundo desse tamanho, e qua dá os contornos na nossa vida, do nosso eu, sem criar limites para sua expansão. Amigos. Eu me lembro de tanta coisa, de dias absolutamente perfeitos. E eu queria vocês aqui agora, o tempo todo, desenhando um dia com a leveza de quem não tem a pretensão de tornar aquilo a maior das lembranças. Eu quero vocês sempre, vivendo desse jeito tão nosso, e de outros milhares de jeitos que serão sempre nossos, na mesma medida. Mesmo com tanta mudança. Aliás, é muito bom mudar com vocês.

E quando eu falo que amo, não estou sendo leviana e empregando esse termo de maneira superficial e não estou sendo dependente a ponto de pedir que vocês nunca mudem. E também não estou sendo emocionalmente míope de maneira que não veja seus erros e defeitos.

Estou sendo rasa o suficiente para que o meu sentimento só transborde, sem nenhuma capa ou proteção. Porque é verdade, é bom, e é o que me preenche, quando eu digo muito obrigada por tudo, e quando eu digo que eu amo vocês.



20 de Julho - Dia do Amigo

Postado por: Marcela

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eclética (o) .

Postado por Infinito Particular às 06:39 0 comentários

 

Sim, eu sou .

Eclética com muito prazer.

Tem gente que vem com essa história de que eclético é gente sem personalidade e sem gosto. Aaah, pra cima de mim não ! Eclético tem gosto sim : ele gosta do que é bom ! E muitas vezes o que é bom não tem um estilo marcado E não que eu julgue aqueles que tem um estilo, ou seguem um padrão, pelo contrário, até acho muito divertido ter uma ser fã de um único jeito de ser, mas cá entre nós, desde o rapper de sangue até o metaleiro de raça tem um fundinho eclético dentro de si . E isso pode ser comprovado de um forma simples : toque uma música bem antiga do tipo ‘Balão Mágico’, ‘É o Tchan’, ou um pagode daqueles bem chicletes que não desgrudam da cabeça e pronto . Esse tipo de música todo mundo canta. Todo mundo mesmo. E quando a música é empolgante, viciante e contagiante então ?! Ixi, ninguém segura ! Todo mundo canta, ou melhor berra a música, com toda força .

Então, metaleiro, rapper ou qualquer outro estilo,  não se preocupe se quando começar a tocar pagode e você souber cantar, ou se Xuxa não saiu até hoje da sua cabeça : isso é o jeitninho eclético de ser . 

musica-para-motivar-voce-nos-exercicios-68-120

Postado por : Jéssica

 

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