domingo, 18 de julho de 2010
Baralho
Todo mundo já jogou, isso é fato. Seja truco, buraco, copo d'água, burro, tapão, mico, mal-mal ou algum outro. E já fez casinha também. Algumas com vários andares e paredes reforçadas, outras só uma cabaninha hippie a beira mar (desculpa mais cult pela falta de habilidade de manter aquilo em pé).
Todo avô tem um amigo para jogar com ele, e todo adolescente pega o do avô pra jogar com os amigos. E tem sempre aquele baralho velho e bagunçado, que só serve para alguns jogos, mesmo assim com adaptações.
Sempre tem os que sabem os nomes oficiais dos nipes, e os que se explicam buscando comparações bem simplificadas, como "coraçãozinho" ou "pipa". (sim, eu estou no segundo grupo.)
Vai dar briga. Mas vai passar rapidinho.
Os jogos roubados são os mais comuns, os mais polêmicos e os mais divertidos.
Os jogos roubados mais divertidos são os roubados em grupo e descaradamente.
Todo mundo sempre topa jogar. A gente sempre lamenta não ter levado um baralho para algum lugar.
Ele tem acompanhado as noites urbanas há muito tempo, e é o passatempo mais divertido de madrugadas passadas em sítios.
Qualquer filme que tenha máfia, dinheiro ilegal, homens sedutores de chapéu, cigarros que nunca acabam e tiros que nunca acertam o Don Juan da parada precisam de uma cena crucial em volta da mesinha redonda, que tem grandes chances de ser derubada no final da partida.
Qualquer um teve que aprender a fazer o leque com as cartas, não foi só você.
Nada melhor para facilitar a intimidade. Quer aumentar a interação de grupos de amigos diferentes que estão em um mesmo ambiente? "Galera, vamos joga baralho?"
Toda professora já confiscou um no final do semestre.
E eu acho extremamente triste que muitos acabem ficando viciados no jogo, assim como fico extremamente triste com qualquer tipo de vício. Acho um horror quando jogar se torna uma compulsão e uma forma de se apostar o dinheiro que não se tem.
Mas adoro o lado saudável do baralho. A versatilidade e a simplicidade de uma partida já animaram muitas tardes da minha vida, e continuam preenchendo alguns domingos pós almoço, naqueles em que a gente lembra o quanto é legal ter amigos.
Todo avô tem um amigo para jogar com ele, e todo adolescente pega o do avô pra jogar com os amigos. E tem sempre aquele baralho velho e bagunçado, que só serve para alguns jogos, mesmo assim com adaptações.
Sempre tem os que sabem os nomes oficiais dos nipes, e os que se explicam buscando comparações bem simplificadas, como "coraçãozinho" ou "pipa". (sim, eu estou no segundo grupo.)
Vai dar briga. Mas vai passar rapidinho.
Os jogos roubados são os mais comuns, os mais polêmicos e os mais divertidos.
Os jogos roubados mais divertidos são os roubados em grupo e descaradamente.
Todo mundo sempre topa jogar. A gente sempre lamenta não ter levado um baralho para algum lugar.
Ele tem acompanhado as noites urbanas há muito tempo, e é o passatempo mais divertido de madrugadas passadas em sítios.
Qualquer filme que tenha máfia, dinheiro ilegal, homens sedutores de chapéu, cigarros que nunca acabam e tiros que nunca acertam o Don Juan da parada precisam de uma cena crucial em volta da mesinha redonda, que tem grandes chances de ser derubada no final da partida.
Qualquer um teve que aprender a fazer o leque com as cartas, não foi só você.
Nada melhor para facilitar a intimidade. Quer aumentar a interação de grupos de amigos diferentes que estão em um mesmo ambiente? "Galera, vamos joga baralho?"
Toda professora já confiscou um no final do semestre.
E eu acho extremamente triste que muitos acabem ficando viciados no jogo, assim como fico extremamente triste com qualquer tipo de vício. Acho um horror quando jogar se torna uma compulsão e uma forma de se apostar o dinheiro que não se tem.
Mas adoro o lado saudável do baralho. A versatilidade e a simplicidade de uma partida já animaram muitas tardes da minha vida, e continuam preenchendo alguns domingos pós almoço, naqueles em que a gente lembra o quanto é legal ter amigos.
domingo, 11 de julho de 2010
Pacato Cidadão
Eu sei que não tem sido fácil.
Eu te vi tentar, eu me lembro. Eu me lembro que você realmente queria. Mudar. Ser melhor. Melhorar as coisas também. Ser mais feliz.
Eu me lembro ainda que eu te dei forças, a gente sabia qual era o caminho, e de repente, parecia que todo mundo sabia qual era o caminho. Era tão óbvio! É tão fácil.
Mas eu sei. O ombro pesou. Doeu, a consciência, o corpo até. E teve o baque da falta do conforto. Doeu, do mesmo jeito dói creser, e que dói aprender, mesmo que aprender seja no fim muito melhor do que nunca ter aprendido. Eu vi que as coisas foram acontecendo. Primeiro um imprevisto, depois outro. Eu senti o vento soprando para o lado contrário. Um vento gelado.
Eu também achei que podia ficar para depois. Eu também pensei bem, e vi que não era muito sensato. Imaturo, talvez.
Eu ouvi quando você chegou a falar no assunto, mas perdeu a confiança, não foi? Eu sei como tem sido difícil. Ninguém esperava isso, aliás, tem muita gente esperando outra coisa de você.
Eu te entendo. Eu te perdoô.
Eu sei que está doendo muito. Ainda mais do que antes.
Afinal, você é só um cidadão comum, meu Deus.
Mas você tem razão, era tudo tolice mesmo. Um sonho. Utopia, né?
Então... porque será que esse sufoco não sai do nosso peito?
Postado por: Marcela
Eu te vi tentar, eu me lembro. Eu me lembro que você realmente queria. Mudar. Ser melhor. Melhorar as coisas também. Ser mais feliz.
Eu me lembro ainda que eu te dei forças, a gente sabia qual era o caminho, e de repente, parecia que todo mundo sabia qual era o caminho. Era tão óbvio! É tão fácil.
Mas eu sei. O ombro pesou. Doeu, a consciência, o corpo até. E teve o baque da falta do conforto. Doeu, do mesmo jeito dói creser, e que dói aprender, mesmo que aprender seja no fim muito melhor do que nunca ter aprendido. Eu vi que as coisas foram acontecendo. Primeiro um imprevisto, depois outro. Eu senti o vento soprando para o lado contrário. Um vento gelado.
Eu também achei que podia ficar para depois. Eu também pensei bem, e vi que não era muito sensato. Imaturo, talvez.
Eu ouvi quando você chegou a falar no assunto, mas perdeu a confiança, não foi? Eu sei como tem sido difícil. Ninguém esperava isso, aliás, tem muita gente esperando outra coisa de você.
Eu te entendo. Eu te perdoô.
Eu sei que está doendo muito. Ainda mais do que antes.
Afinal, você é só um cidadão comum, meu Deus.
Mas você tem razão, era tudo tolice mesmo. Um sonho. Utopia, né?
Então... porque será que esse sufoco não sai do nosso peito?
Postado por: Marcela
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Eu precisava dizer.
Não foi uma sexta-feira qualquer.
Na minha escola não teve aula - o que pode ser considerado um milagre !
E como já tinha se tornando um hábito o Brasil parou para assistir a Seleção Brasileira entrar em campo. A adversária dessa vez era a Holanda. Laranja Mecânica.
Não tínhamos Elano, nem Ramires. Mas tínhamos fé. A fé que todo brasileiro tem desde sempre.
E então, Gol ! Brasil 1x0 Holanda . Vibração, alegria e festa. Então aconteceu o inesperado um gol contra. Foi o que começou a tirar a esperança dos jogadores, que calou a maioria de uma torcida que deveria estar gritando mais do que nunca. Exceto, eu. Permanecia acreditando na vitória. Permanecia gritando, vibração, tentando empurrar a seleção com minhas mãos e meu coração. Mas não deu. Brasil 1x2 Holanda. Não contive o choro, que me acompanhou até o fim da partida. Eu, que admito nunca ser tão ligada ao futebol me peguei de repente ajoelhada diante da televisão, tentando estar em campo, tentando dar força ao time, mas não deu. Terminou. A participação do Brasil na Copa chegou ao fim. Mas meu sentimento de ser brasileira não. Então eu vi o locutor brasileiro que podia ter ficado calado dizer "a seleção brasileira atuou como qualquer outra". NÃO FOI E NUNCA SERÁ ! E o goleiro Julio César, de nome de imperador, mostrou seu poder e deixou as lagrimas de lado para enfrentar a mídia, e disse "a cobrança sobre nós era muita e sabíamos disso". E eu me senti meio que culpada. Talvez seja por isso que a seleção perdeu o psicologico, porque eles acreditaram que era um cobrança, e na maior parte da torcida foi isso. Mas tenho certeza que havia mais pessoas APOIANDO, INCENTIVANDO, AJUDANDO. Prendendo a respiração a cada oportunidade de gol.
E então, depois da derrota, aqueles '190 milhões de corações' que se disseram sempre solidários, mostraram-se um bando de gente sem coração que só sabe dizer "Dunga é Burro" e "Filipe Melo é horrível" ! Mas quem são esses? Quem são para se julgar, para pisar para massacrar, num momento que deveriam apoiar. Quando Brasil GANHOU o TIME FOI BOM, mas sempre tinha um defeito, que para quem estava do lado e fora poderia ser melhorado. Mas quando o time perde, O TREINADOR não fez um bom trabalho. Será justo dizer isso ? Será BRASILEIRO dizer isso?
PARABÉNS A TODOS ! ♥
E cá entre nós : Todo mundo TENTA, mas SÓ o #bra
é PENTA. E em 2014 a gente tenta de novo, porque não ?!
PS. Eu sempre gostei do Dunga e sempre vou gostar. Mesmo ele num sendo mais técnico da Seleção, ele faz parte da sua história. E a história a gente num esquece, nem ignora, nem pisa. Porque ela sempre será importante.
Postado por: Jéssica Gomes - Brasileira desde sempre e para sempre !
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Minha Restrospectiva Pessoal da Copa
Época de Copa é também a época de Retrospectivas da Copa. Faz-se retrospectivas do evento, do desempenho do Brasil no evento, do desempenho de um jogador do Brasil no evento, enfim, com os mais diversos focos, mas sempre relembrando fatos marcantes das Copas do Mundo.
Pensando nisso eu me dei conta que existem muitos fatos associados à Copa que foram extremamente marcantes para mim, mas que não vão entrar em nenhuma retrospectiva oficial (a menos que eu seja a grande promessa do futebol para 2014, e o futebol teria que mudar muito para isso ser perto de possível; tipo teriam que eliminar a bola, ou algo assim). Foi por isso que eu resolvi fazer a Minha Restrospectiva Pessoal da Copa, uma reunião de todos os fatos e situações relacionados aos mundiais que são inesquecíveis (para mim).
Minha Retrospectiva Pessoal Da Copa:
1998 - França
A primeira coisa que eu lembro sempre é daquele bichinho azul e vermelho, mascote da Copa da França, que é a primeira Copa da qual eu me lembro. Eu teimava que ele era um pica-pau, embora todo mundo o chamasse de "Galinho". Eu ainda acho que traduziram errado.
Lembro que na escola eu ganhei os antecedentes da vuvuzela: uma boquinha-apito verde e amarela, uma cornetinha verde, um palitinho que sustentava duas mãozinhas que batiam palmas (uma verde e uma amarela) e um apito amarelo que sumiu misteriosamente depois que eu fiz uso dele durante os 45 minutos do 1º e do 2º tempos do primeiro jogo, para desespero de quem assistiu comigo.
Eu lembro que nunca falava "Zidane", e sempre me referia a ele como "aquele cara careca", porque eu achava muito feio ficar falando palavrão, mesmo que o nome dele fosse um palavrão.
Eu lembro que fiquei inconformada do Pelé não ter sido convocado. Meu pai me disse que ele estava velho, que já tinha se aposentado. Mas eu pensava "Cara, é o Pelé! É o melhor do mundo de todos os tempos. Não é possível que ele desaprendeu tudo o que sabia." Achei um tremendo desperdício.
A minha irmã mais nova, usando todos os acessórios verdes e amarelos que ela conseguiu encontrar na casa do meu avô, inclusive uma fronha de travesseiro que ela amarrou no calcanhar, pulando igual uma pipoquinha e gritando "Brasil, Brasil, Brasil", durante os últimos dez minutos da final, quando perdemos para a França, é uma imagem que eu não vou esquecer nunca.
Aliás, eu não vou esquecer nunca a derrota para a França, especialmente porque a culpa foi toda minha. Eu tinha um estojo azul de lata onde eu guardava um régua de bichinhos que eu sempre levava nos dias de jogo. Era eu abrir o estojo na frente da Tv, o Brasil fazia um gol. É sério! Foi assim em todos os jogos. Aí, no dia da final, o que acontece? Eu esqueço o estojo em casa. É claro que o Brasil perdeu. Eu nunca vou me perdoar por isso.
2002 - Japão
Me lembro que o Brasil foi para a Copa na repescagem. Lembro que todo mundo estava xingando, e eu falava: pelo menos foi, isso é que é importante. Lembro que quando o Brasil ganhou eu me senti a mais entendida do assunto, e falava com todo mundo: "Aí, eu não disse?"
Eu amava o Felipão. Adorava o jeito que ele ia vestido para o campo (de moleton e tênis), adorava quando ele ficava vermelho de raiva ou de alegria. Eu achava que ele poderia ficar para sempre como técnico da seleção, e que aí ia ser moleza ganhar todas as Copas.
Lembro que eu assisti todos os jogos, mesmo os que foram de madrugada. Minha mãe me chamava e eu ficava sentada no sofá, para não correr o risco de dormir. Eu fazia questão de usar um pijama super velhinho que era meio verde. E eu adorava o fato de estar comendo pão de queijo no meio da noite.
Eu lembro que no jogo contra a Inglaterra, eu descobri um poder espetacular da minha irmã mais velha. Ela cochilava durante o jogo todo, mas era só ela acordar que o Brasil fazia um gol. Era tiro e queda. Então eu comecei a fazer barulhos e movimentos bruscos, para ver se ela acordava acidentalmente com mais frequência.
No último jogo, ela ficou acordada o tempo inteiro (porque foi por volta de 8h da manhã). E o Brasil ganhou. Estou cuidando para que ela nem pisque durante os jogos dessa Copa.
No dia da final, o meu avô nos deu dois canarinhos. Batizamos a fêmea de penta e o macho de hexa. Penta e hexa fugiram alguns meses atrás, quando o meu primo abriu a porta do viveiro. Ainda não sei se isso é um sinal (libertamos o hexa) ou um mal presságio (o hexa voou para longe de nós).
Pensando nisso eu me dei conta que existem muitos fatos associados à Copa que foram extremamente marcantes para mim, mas que não vão entrar em nenhuma retrospectiva oficial (a menos que eu seja a grande promessa do futebol para 2014, e o futebol teria que mudar muito para isso ser perto de possível; tipo teriam que eliminar a bola, ou algo assim). Foi por isso que eu resolvi fazer a Minha Restrospectiva Pessoal da Copa, uma reunião de todos os fatos e situações relacionados aos mundiais que são inesquecíveis (para mim).
Minha Retrospectiva Pessoal Da Copa:
1998 - França
A primeira coisa que eu lembro sempre é daquele bichinho azul e vermelho, mascote da Copa da França, que é a primeira Copa da qual eu me lembro. Eu teimava que ele era um pica-pau, embora todo mundo o chamasse de "Galinho". Eu ainda acho que traduziram errado.
Lembro que na escola eu ganhei os antecedentes da vuvuzela: uma boquinha-apito verde e amarela, uma cornetinha verde, um palitinho que sustentava duas mãozinhas que batiam palmas (uma verde e uma amarela) e um apito amarelo que sumiu misteriosamente depois que eu fiz uso dele durante os 45 minutos do 1º e do 2º tempos do primeiro jogo, para desespero de quem assistiu comigo.
Eu lembro que nunca falava "Zidane", e sempre me referia a ele como "aquele cara careca", porque eu achava muito feio ficar falando palavrão, mesmo que o nome dele fosse um palavrão.
Eu lembro que fiquei inconformada do Pelé não ter sido convocado. Meu pai me disse que ele estava velho, que já tinha se aposentado. Mas eu pensava "Cara, é o Pelé! É o melhor do mundo de todos os tempos. Não é possível que ele desaprendeu tudo o que sabia." Achei um tremendo desperdício.
A minha irmã mais nova, usando todos os acessórios verdes e amarelos que ela conseguiu encontrar na casa do meu avô, inclusive uma fronha de travesseiro que ela amarrou no calcanhar, pulando igual uma pipoquinha e gritando "Brasil, Brasil, Brasil", durante os últimos dez minutos da final, quando perdemos para a França, é uma imagem que eu não vou esquecer nunca.
Aliás, eu não vou esquecer nunca a derrota para a França, especialmente porque a culpa foi toda minha. Eu tinha um estojo azul de lata onde eu guardava um régua de bichinhos que eu sempre levava nos dias de jogo. Era eu abrir o estojo na frente da Tv, o Brasil fazia um gol. É sério! Foi assim em todos os jogos. Aí, no dia da final, o que acontece? Eu esqueço o estojo em casa. É claro que o Brasil perdeu. Eu nunca vou me perdoar por isso.
2002 - Japão
Me lembro que o Brasil foi para a Copa na repescagem. Lembro que todo mundo estava xingando, e eu falava: pelo menos foi, isso é que é importante. Lembro que quando o Brasil ganhou eu me senti a mais entendida do assunto, e falava com todo mundo: "Aí, eu não disse?"
Eu amava o Felipão. Adorava o jeito que ele ia vestido para o campo (de moleton e tênis), adorava quando ele ficava vermelho de raiva ou de alegria. Eu achava que ele poderia ficar para sempre como técnico da seleção, e que aí ia ser moleza ganhar todas as Copas.
Lembro que eu assisti todos os jogos, mesmo os que foram de madrugada. Minha mãe me chamava e eu ficava sentada no sofá, para não correr o risco de dormir. Eu fazia questão de usar um pijama super velhinho que era meio verde. E eu adorava o fato de estar comendo pão de queijo no meio da noite.
Eu lembro que no jogo contra a Inglaterra, eu descobri um poder espetacular da minha irmã mais velha. Ela cochilava durante o jogo todo, mas era só ela acordar que o Brasil fazia um gol. Era tiro e queda. Então eu comecei a fazer barulhos e movimentos bruscos, para ver se ela acordava acidentalmente com mais frequência.
No último jogo, ela ficou acordada o tempo inteiro (porque foi por volta de 8h da manhã). E o Brasil ganhou. Estou cuidando para que ela nem pisque durante os jogos dessa Copa.
No dia da final, o meu avô nos deu dois canarinhos. Batizamos a fêmea de penta e o macho de hexa. Penta e hexa fugiram alguns meses atrás, quando o meu primo abriu a porta do viveiro. Ainda não sei se isso é um sinal (libertamos o hexa) ou um mal presságio (o hexa voou para longe de nós).
Eu me lembro, como eu me lembro, da vitória sobre a Alemanha.
2006 - Alemanha
Foi nessa Copa que eu finalmente entendi o que é um impedimento. Eu fiquei tão orgulhosa de mim mesma que comecei a apitar paralelamente todos os jogos, para o desespero dos que assistiam comigo.
Lembro que eu descobri o Cristiano Ronaldo. Eu assisti o primeiro jogo de Portugal, porque o Felipão era o técnico e eu ainda amava o Felipão, e descobri a qualidade técnica do C.R antes de todo mundo. Depois, quando ele começou a fazer sucesso, ficaram falando que eu me interessava era por outras qualidades dele. Ou seja, eu nunca vou ter o mérito da minha descoberta.
Aqui em casa a gente pegou uma bandeira escrito "Brasil voa para buscar o penta", utilizada em 2002, e escrevemos "hexa" em cima da palavra "penta", com brocal dourado. Ele ainda está válida para essa Copa.
Lembro que eu realmente achava que o Brasil ia ganhar.
Lembro de mim mesma sentada no tapete da casa da minha tia, com os olhos cheio de água, repetindo um mantra que criei nos últimos 5 minutos do segundo tempo: "Faz um gol, um gol, um gol, um gol, um gol..."
Por fim, lembro que eu pronunciava claramente e com energia não apenas "Zidane" como também "Se...", e era tudo destinado à "aquele cara careca".
E você? Já pensou na sua Retrospectiva Pesoal da Copa?
Postado por: Marcela
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Felicidade Clandestina
Ele está lá.
E eu estou aqui escrevendo, de novo.
E se eu contar o tanto que eu o quis, o tanto que eu esperei por esse momento, ninguém vai conseguir entender porque eu estou esperando tanto.
Na verdade, nem eu mesma entendo. Talvez seja a ansiedade de saber que agora ele pode ser meu, por inteiro. Depois de tantas vezes ter imaginado esse momento, eu talvez esteja com medo de me decepcionar, agora que ele chegou. Talvez eu esteja fazendo como Clarisse Lispector, em "Felicidade Clandestina": finjo não tê-lo, só para depois ter a surpresa de descobrir que o tenho.
Ah, me deixe fingir que não te tenho. Vamos simular, só por uns instantes, que todo o tempo que estive atrás de você foi perdido, que foi em vão que te procurei por tantos lugares. Vamos fingir que você ainda está nos meus sonhos, perturbando as minhas noites e os meus dias, com essa sua ausência tão presente.
E agora, eu vou distraída para o meu quarto, onde te encontro, onde finalmente tenho você. Me permita sentir mais uma vez a sua existência inundando a minha vontade.
E embora eu pudesse viver para sempre na sensação desse jogo, de não ter só para depois descobrir que tenho, eu o quero de verdade. Por inteiro. E eu sei que depois dele nada será como antes. Pode parecer um exagero, mas eu sei que muitos me entendem.
Afinal, não acredito que eu seja a única que se apaixone por livros.
"Tudo se Ilumina", de Jonathan Safran Foer, hoje você vai finalmente ser meu. ;)
Postado por: Marcela
E eu estou aqui escrevendo, de novo.
E se eu contar o tanto que eu o quis, o tanto que eu esperei por esse momento, ninguém vai conseguir entender porque eu estou esperando tanto.
Na verdade, nem eu mesma entendo. Talvez seja a ansiedade de saber que agora ele pode ser meu, por inteiro. Depois de tantas vezes ter imaginado esse momento, eu talvez esteja com medo de me decepcionar, agora que ele chegou. Talvez eu esteja fazendo como Clarisse Lispector, em "Felicidade Clandestina": finjo não tê-lo, só para depois ter a surpresa de descobrir que o tenho.
Ah, me deixe fingir que não te tenho. Vamos simular, só por uns instantes, que todo o tempo que estive atrás de você foi perdido, que foi em vão que te procurei por tantos lugares. Vamos fingir que você ainda está nos meus sonhos, perturbando as minhas noites e os meus dias, com essa sua ausência tão presente.
E agora, eu vou distraída para o meu quarto, onde te encontro, onde finalmente tenho você. Me permita sentir mais uma vez a sua existência inundando a minha vontade.
E embora eu pudesse viver para sempre na sensação desse jogo, de não ter só para depois descobrir que tenho, eu o quero de verdade. Por inteiro. E eu sei que depois dele nada será como antes. Pode parecer um exagero, mas eu sei que muitos me entendem.
Afinal, não acredito que eu seja a única que se apaixone por livros.
"Tudo se Ilumina", de Jonathan Safran Foer, hoje você vai finalmente ser meu. ;)
Postado por: Marcela
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Brasil !
Eu sei que o Dunga é um jumento.
Sim, eu sei que falta qualidade técnica, futebol arte e amor à camisa. Eu sei que o Robinho não é lá essas coisas, que o Luís Fabiano conta demais com a sorte e com uma "mãozinha", eu sei que o Júlio César não é o melhor goleiro do mundo, e que o Kaká nem é tão gato assim, ele só se detaca porque não tem concorrência. Eu sei que ninguém explica o Grafite.
Eu sei que os jogadores ganham milhões para participar da Copa, e que a maioria de nós não vai ganhar nem a metade disso durante toda a vida. Eu sei que a Fifa tem muito dinheio, eu sei que a Globo ganha uma grana preta, e que o Galvão Bueno deve saber de algum segredo muito importante da emissora, para ainda ser mantido lá.
Eu sei que a Argentina está muito bem, obrigada.
Eu sei que o nosso patriotismo só aparece na época da Copa. Eu sei que as eleições estão aí. Eu sei que, no fim das contas, tudo é marketing.
Eu não ignoro os problemas, os erros, as confusões. Eu sei de tudo isso.
Mas eu torço, eu choro, eu vibro. Eu amo Copa do Mundo.
E não é por causa do futebol não, que eu gosto, mas nem tanto assim. Eu amo realmente a Copa do Mundo. O fato de ser um evento que movimenta pessoas no mundo inteiro, e não é uma guerra, nem uma corrida por territórios ou recursos minerais. É esporte. E é torcida, muita gente vibrando por um único motivo, torcendo pela mesma coisa, mandando energias positivas em um único sentido. É a alegria de muita gente, que só tem isso: essa esperança de perceber como as coisas se encaixam, como para tudo se dá jeito, como de alguma forma a gente se une. A gente é capaz de se unir! De querer todo mundo a mesma coisa, uma vitória que seja de todos, que seja para todos.
É pelo Brasil que eu torço quando a seleção entra em campo. É por nós que eu vibro, pelo povo. Não é só na Copa do Mundo que eu torço pelo povo, e é claro que eu queria que essa fosse uma realidade de maneira geral. Eu queria que todo mundo mandasse essa energia positiva coletiva para várias outras coisas, eu queria que a gente se articulasse assim também no dia a dia. Eu sei que isso devia ir além da Copa do Mundo.
Mas essa consciência de que de maneira geral as pessoas agem assim só durante a Copa, não a torna menos bela, includente e mágica. Eu não vou condenar um momento importante, só porque sei que deveriam haver muitos outros nas mais diversas situações.
Eu sei. Sei de todos os argumentos.
Mas eu sei também que eu torço pela nossa alegria, e para que a gente perceba a nossa força e a nossa capacidade de mandar o Brasil para frente. O Brasil, literalmente.
Postado por: Marcela
Sim, eu sei que falta qualidade técnica, futebol arte e amor à camisa. Eu sei que o Robinho não é lá essas coisas, que o Luís Fabiano conta demais com a sorte e com uma "mãozinha", eu sei que o Júlio César não é o melhor goleiro do mundo, e que o Kaká nem é tão gato assim, ele só se detaca porque não tem concorrência. Eu sei que ninguém explica o Grafite.
Eu sei que os jogadores ganham milhões para participar da Copa, e que a maioria de nós não vai ganhar nem a metade disso durante toda a vida. Eu sei que a Fifa tem muito dinheio, eu sei que a Globo ganha uma grana preta, e que o Galvão Bueno deve saber de algum segredo muito importante da emissora, para ainda ser mantido lá.
Eu sei que a Argentina está muito bem, obrigada.
Eu sei que o nosso patriotismo só aparece na época da Copa. Eu sei que as eleições estão aí. Eu sei que, no fim das contas, tudo é marketing.
Eu não ignoro os problemas, os erros, as confusões. Eu sei de tudo isso.
Mas eu torço, eu choro, eu vibro. Eu amo Copa do Mundo.
E não é por causa do futebol não, que eu gosto, mas nem tanto assim. Eu amo realmente a Copa do Mundo. O fato de ser um evento que movimenta pessoas no mundo inteiro, e não é uma guerra, nem uma corrida por territórios ou recursos minerais. É esporte. E é torcida, muita gente vibrando por um único motivo, torcendo pela mesma coisa, mandando energias positivas em um único sentido. É a alegria de muita gente, que só tem isso: essa esperança de perceber como as coisas se encaixam, como para tudo se dá jeito, como de alguma forma a gente se une. A gente é capaz de se unir! De querer todo mundo a mesma coisa, uma vitória que seja de todos, que seja para todos.
É pelo Brasil que eu torço quando a seleção entra em campo. É por nós que eu vibro, pelo povo. Não é só na Copa do Mundo que eu torço pelo povo, e é claro que eu queria que essa fosse uma realidade de maneira geral. Eu queria que todo mundo mandasse essa energia positiva coletiva para várias outras coisas, eu queria que a gente se articulasse assim também no dia a dia. Eu sei que isso devia ir além da Copa do Mundo.
Mas essa consciência de que de maneira geral as pessoas agem assim só durante a Copa, não a torna menos bela, includente e mágica. Eu não vou condenar um momento importante, só porque sei que deveriam haver muitos outros nas mais diversas situações.
Eu sei. Sei de todos os argumentos.
Mas eu sei também que eu torço pela nossa alegria, e para que a gente perceba a nossa força e a nossa capacidade de mandar o Brasil para frente. O Brasil, literalmente.
Postado por: Marcela
domingo, 20 de junho de 2010
Brasil .
O apita soa. Rompem-se as fronteiras.
190 milhões de corações batem num ritmo compassado, ensaiado para torcer.
O hino toca e toca os corações.
Os olhares estão voltados para a majestade, a bola. E seus súditos como que correm para referenciar sua soberania, e o jogo começa.
É muito mais que um esporte, é uma vida. E que vida. Emocionante, ardente, vibrante.
E então a respiração cessa. E o único barulho que se ouve é o som seco da bola rasgando o ar, passando pelo goleiro.
Som seguido por gritos de uma felicidade contagiante, alucinante.
É uma NAÇÃO unida, para torcer , amar, apoiar e acreditar na Seleção, para poder mostrar para um MUNDO que
Felicidade é ser BRASILEIRA !
Postado por : Jéssica
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